15/11/2010

Hora de parar e pensar na cidade que se quer

Pensar na cidade que desejamos ter. Esse é o ponto chave para um grande grupo de arquitetos e engenheiros que se reúne nos próximos dias em São Paulo e em Porto Alegre. O objetivo, além de aprimorar as construções e aproveitar melhor os recursos naturais, é refletir sobre o todo de uma cidade.

Em um complexo urbano formado por fatores históricos, culturais e individuais, a sustentabilidade chega como novo conceito. Ainda assim, para que seja incorporada por completo em um ambiente urbano, o engenheiro civil e professor da Escola Politécnica da USP, Alex Abiko, entende que é preciso que a sociedade esteja convencida da sua importância:


– Uma cidade é uma construção coletiva de todos que vivem nela.

No 3º Simpósio Brasileiro da Construção Sustentável (SBCS10), que começa hoje na sede da Amcham, em São Paulo, Abiko falará em um painel intitulado Sustentabilidade Habitacional Urbana. Pela primeira vez, discussões focadas em temas como o entorno dos edifícios, as habitações de interesse social e a mobilidade urbana terão destaque no evento.

Para ele, todo urbanismo é participativo desde seu conceito. Ainda assim, é interessante pensar em quem tem voz nas cidades.

– Podemos pensar onde é o lugar dos idosos ou das crianças nas cidades. Ele existe?
– instiga o engenheiro.

Pensando que, em 2050, 60% da população mundial morará em cidades, o 54th IFHP World Congress 2010 Porto Alegre, escolheu as cidades do futuro como grande tema de discussão. A partir do dia 14 de novembro, acadêmicos e profissionais estarão reunidos para pensar como deixar nossas cidades mais justas e acessíveis, por exemplo.

Entre as presenças esperadas, está a do arquiteto inglês John Thompson, conhecido por trabalhar com urbanismo participativo. Para ele, o único caminho viável para o sucesso do conceito é o engajamento da população local.

– O urbanismo participativo envolve abrangentes programas de ação que vão deste a ordem física, passando por medidas ambientais, sociais e econômicas. É também uma mudança de gestão e, assim, alcança o desenvolvimento urbano – esclarece Thompson.

Olho nas leis

Para pensar o que se deseja para uma cidade, o professor da Escola Politécnica da USP, Alex Abiko, dá algumas dicas. A ideia dele é que os especialistas se dediquem a elaborar soluções enquanto a sociedade reflete sobre o que quer do ambiente em que vive. Mas alerta, não há uma receita fechada quando se fala em urbanismo.

Considerando que, no Brasil, os vereadores são responsáveis pela elaboração de leis municipais, escolhê-los é uma forma de pensar no assunto. Para Abiko, a legislação é um caminho importante para organizar um espaço coletivo. Pensar no que gostamos ou não no nosso cotidiano também. Entre os temas em destaque, está o trânsito. Gostamos de ficar muito tempo parados no trânsito? Temos área para o lazer na cidade? Gostamos de andar de ônibus?

Essas são algumas das perguntas que podemos nos fazer. Com as respostas e muita discussão, os aglomerados urbanos podem se tornar lugares melhores para se viver.

Fonte:
Pense Imóveis

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